sexta-feira, 21 de maio de 2010

Theo and Nataly






Hoje metade dos meus melhores amigos em Golden decolou para longe. Chegamos ao aeroporto quase às 5 da manhã, Nataly, Theo e eu. Após 6 ou 7 dias juntos fomos obrigados a dizer tchau ao nosso querido francês.

As paredes da casa continuam ecoando a voz da Nataly implicando com o Theo, ele dizendo "come on" e me sugerindo de fazermos uma salada e vermos um filme à noite, ela me contando uma fofoca e dizendo "it's cold, may I use your sweter?".

Esses dois amigos preencheram meu coração nos últimos meses. E pra comemorar nossa afinidade viajamos na terça para o sul do Colorado onde há umas dunas imensas, dormimos no carro, e no dia seguinte, passamos num hot spring, um desses lugares com águas termais, e uma maravilhosa paisagem de recuperar o folego! A noite fizemos aqui em casa um churrasco de despedida para o Theo, e a gringalhada ficou maravilhada com o tempero brasileiro. Foram todos apresentados ao sal grosso. Enfim, dormimos as duas para acordar as quatro e ir ao aeroporto.

Agora vou me recolher a minha tristeza momentanea devida a partida do meu amigo, mas reconhecer minha alegria eterna por ter pessoas no meu coracao.




Los Hermanos
(Atahualpa Yupanqui)
Yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar
en el valle, la montaña
en la pampa y en el mar.
Cada cual con sus trabajos,
con sus sueños cada cual
Con la esperanza adelante,
con los recuerdos detrás.
Yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar.
Gente de mano caliente
por eso de la amistad.
Con um lloro pa´llorarlo,
con un rezo pa´ rezar.
Con un horizonte abierto
que siempre está má allá.
Y esa fuerza pa´ buscarlo
con tesón y voluntad.
Cuando parece más cerca
es cuando se aleja más.
Yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar.
Y así seguimos andando
curtidos de soledad.
Nos perdemos por el mundo
nos volvemos a encontrar.
Y así nos reconocemos
por el lejano mirar,
por las coplas que mordemos,
semillas de inmensidad.
Y así seguimos andando
curtidos de soledad.
Y en nosotros nuestros muertos
Pa´ que nadie quede atrás
Yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar.
Y una hermana muy hermosa
que se llama Libertad.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Chauffeur

Se tudo na vida não fosse relativo, não teríamos saída. O quatro meia zero é o ônibus da minha vida. Diferentemente de uma mulher, um ônibus tem que fazer por merecer esse cargo. Isso pode ser bom, porque quando é por mérito o caminho à recompensa é bem delineado e semi-sabido previamente. Isso é excelente para os ônibus, que estão acostumados com caminhos certos, que são como cavalos, com viseiras laterais para não desviarem de seu caminho. O problema é que os ônibus não se preocupam com a decisão de seu caminho. São os motoristas. Motorista significa tomador de decisão. Para ser preciso, tomador de mesma decisão. Motorista de ônibus é o cara mais disciplinado do mundo. Não sei porque ainda não foram chamados para dar palestras sobre disciplina. Será que não sabem ensinar, como os professores? Verdade seja dita, professores também são muito disciplinados. A semelhança entre motoristas de ônibus e professores é que entra-ano-sai-ano, ou entra-dia-sai-dia, ambos sempre pegam o mesmo caminho, coitados. Coitados mesmo se eles, acostumados à rotina, fossem obrigados a ser eu, que não consigo manter o mesmo caminho nem na primeira vez que o tomo. Pensando em rotina, quantas dicas não teriam os motoristas e os professores para os maridos. Imaginem, tão acostumados com a rotina e tão acostumados com pouco. Chauffeur é uma palavra bonita. Mas só no Brasil, porque na França significa motorista.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Comédia Humana numa Vida Privada

O choro e o riso são definitivamente expressões distintas. Mas ambos envolvem contração dos músculos da face, ambos são capazes de tirar o fôlego, ambos podem acontecer em momentos de nervosismo e em momentos de alegria e de tristeza.
Estou muito empolgado com minha ida ao Brasil, penso o tempo todo no que vou fazer por aí. Contudo sei que a partida de volta para Golden vai ser dura. Sei que no sábado quando eu estiver voltando vai dar um aperto no coração.
Ao mesmo tempo, essa ida faz eu me dar conta de como eu me habituei à minha vida aqui. Tenho consciência que de fato expandi minhas fronteiras. Continuo enxergando o Brasil como minha casa, continua muito natural para mim falar que a casa dos meus pais é minha casa. Mas além disso, agora também é muito natural para mim chamar Golden de minha casa. Sinto-me tão bem por aqui que este território agora é meu. Não tenho mais preocupações exageradas com minha conduta aqui devido ao fato de eu não ser cidadão americano. Sinto-me confortável para ultrapassar o limite de 30 mi/h na Washington como fazem todos os cidadãos locais. Quando as pessoas escutam meu sotaque e perguntam de onde eu sou tenho vontade de dizer "do que você está falando?". Então, vem essa viagem e eu estranho ter que passar 12 horas em um avião para ir da minha casa à minha casa. Nunca atravessei um corredor tão grande para chegar da sala à cozinha. Essa é uma sensação que eu já tinha sentido quando morei em Sampa, mas de forma menos arraigada. É uma sensação que não podemos sentir quando viajamos de férias, porque de férias podemos conhecer um pouco do lugar mas não nos sentimos pertencendo a ele.
Nesse interlúdio goldenite vou chorar e sorrir, tanto por alegria quanto por tristeza nos dois casos. A alegria e a tristeza são sintomas de um mesmo bem que acontece dentro de nós: o estiramento de nosso perímetro pessoal.

See ya!